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25/08/2008 - 14h11
POSSE NA ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS
Ministro Cesar Asfor Rocha
Presidente em exercício
do Superior Tribunal de Justiça

Senhor Presidente Acadêmico Murilo Martins,
Senhoras e Senhores Acadêmicos,
Minhas Senhoras e Senhores:


Reverenciando os acadêmicos Justiniano de Serpa, Manuel Leiria de Andrade, Alba Valdez e Eduardo Campos, ultrapasso com emoção estes umbrais para ter assento entre os pares da veneranda Academia Cearense de Letras, mais do que centenária, tomado do orgulho de integrar o quadro das excelências intelectuais do Ceará – por mercê de generosa escolha dos seus acadêmicos – e tomado, ao mesmo tempo, da humildade de suceder, neste augusto colegiado, um dos mais completos homens de letras, de incansável capacidade de trabalho, que o nosso Estado já produziu: Manuel Eduardo Pinheiro Campos, também consagrado como Manelito Eduardo.

A nossa Casa, permitam-me rememorar um pouco da sua história secular, nasceu como Academia Cearense mediante a iniciativa pioneira de homens ilustres da nossa terra, como Tomás Pompeu, Farias Brito, Guilherme Studart, José de Barcelos, Antônio Bezerra de Menezes, Franco Rabelo, padre Valdevino Nogueira, Pedro de Queiroz, Virgílio de Moraes, Valdomiro Cavalcante, Raimundo Arruda, Álvaro Mendes e Justiniano de Serpa, que cada qual engrandeceu com
as luzes do seu saber e os frutos da sua produção intelectual em áreas diversas.

Nos primeiros tempos, a Academia Cearense congregava, no já distanciado 15 de agosto de 1894, somente trinta nomes da intelectualidade da época; surgiu a Academia Cearense com um espectro bem amplo de interesses e objetivos, alcançando áreas de pesquisas, estudos e investigações científicas de larga abrangência. Porém, as precárias e mesmo difíceis condições dos primeiros tempos levaram-na quase à inoperância.

Em 17 de julho de 1922, o acadêmico Justiniano de Serpa, presidente do Estado, bacharel pela Faculdade de Direito do Recife, acatando sugestão de Leonardo Mota, cuidou de reorganizá-la, elevando o número dos seus integrantes para quarenta e escolhendo-se, a partir de então, o nome de um cearense ilustre para patrono de cada uma das suas cadeiras.

A segunda fase duraria até a morte de Justiniano de Serpa, em 1º de agosto de 1923, no Rio de Janeiro, aos 67 anos de idade, esse notável cearense de Aquiraz, nascido em 6 de janeiro de 1856.

Nessa reorganização da Academia Cearense, contudo, alguns daqueles fundadores de 1894 deixaram de participar da entidade, o que os levou à criação de um outro grêmio de intelectuais, a chamada Academia de Letras do Ceará, que veio a se fundir na Academia Cearense em 1951, graças aos esforços de Henriqueta Galeno, Manoel Albano e Perboyre e Silva.

A década de 30, tão famosa na história do País, assistiu no Ceará à reorganização da nossa Academia, agora sob a inspiração do presidente do Estado José Carlos de Matos Peixoto e com a preciosa colaboração de Walter Pompeu, tendo sido eleito para a sua presidência Manuel Leiria de Andrade.

Naquela época, a Academia Cearense de Letras já se compunha de quarenta membros, dentre os quais figurava uma única mulher – Alba Valdez –, segundo o acadêmico Murilo Martins, o pseudônimo literário de Maria Rodrigues, nascida em 12 de dezembro de 1874, em Itapajé e falecida em 1962. Seguramente, a pioneiríssima, ao que pude apurar, nas academias de letras do País, até que a inesquecível confreira Raquel de Queiroz, ingressando na Academia Brasileira de Letras, veio dar à condição acadêmica feminina o realce que hoje todos exaltamos.

Relembro que o poeta Manuel Bandeira louvava Rachel de Queiroz ao lado do Pai, do Filho e do Espírito Santo, no conhecido poema em que o grande Manuel Bandeira do Brasil (como Vinicius de Moraes o chamava) exalta a nossa ilustre conterrânea do romance realista O Quinze.

Aqui desejo lembrar e louvar a acadêmica Alba Valdez, essa pioneira injustamente esquecida dos nossos contemporâneos, pois foi ela que, no começo da implantação da nossa Academia, ocupou com destaque um lugar de merecido e justo reconhecimento às suas qualidades intelectuais, em sucessão ao notável Manuel Leiria de Andrade, o primeiro ocupante da cadeira 22 desta Casa, onde hoje tomo assento, cujo patrono é o imortal Justiniano de Serpa, homem público, mestre renomado, bacharel ilustrado, secretário de Educação e governador do Ceará, criador da nossa Escola Normal – o Instituto de Educação do Ceará, que ostenta o honrado nome do seu fundador.

Ao mencionar a intelectual Alba Valdez (a quem continuamos a dever estudos biográficos de maior fôlego, os quais a perícia e a pertinácia do acadêmico Sânzio Azevedo com certeza resgatarão do esquecimento), registro que a ela o acadêmico Florival Seraine comparou a cientista e pesquisadora Zélia Camurça, lamentando, quanto à Alba Valdez, que somente a tenha conhecido em idade provecta, mas não poderia ocultar a afetuosa admiração por essa inteligente escritora, que fazia uso de estilo ameno e correto e era sempre lúcida nos conceitos acerca de problemas literários; parecia-nos incorruptível moralmente, incapaz de falsear a verdade, de mentir à sua própria consciência, mesmo em face de situações difíceis e embaraçosas.

Entretanto, Florival Seraine, exímio folclorista e memorialista, não desceu a maiores detalhes sobre Alba Valdez e sua obra; tampouco conhecemos a sua vastidão intelectual ou os seus eventuais descendentes na nossa terra, apenas se registrando que faleceu em 1962, com 88 anos de idade e que foi integrante do Instituto Histórico e Geográfico do Ceará.

O meu antecessor na cadeira 22 desta gloriosa Academia, na verdade o seu terceiro ocupante, é Manuel Eduardo Pinheiro Campos, a quem serão sempre parcos os elogios, haja vista a sua efusiva personalidade de homem que não esteve alheio a nenhuma vertente da literatura cearense, tendo ocupado, com a sua grandeza física e erudição, todos os espaços por onde circulou, ao longo da sua trajetória existencial terrena de 84 anos. Ainda era um menino de 20 anos, recém-saído de Guaiúba, quando, em 1943, estreou com Águas Mortas e ombreou, muito jovem, com os monstros do grupo clã, Girão Barroso, Martins Filho, Moreira Campos e o Príncipe dos Poetas Cearenses, o mestre Artur Eduardo Benevides.

Manelito Eduardo está aqui presente, com o seu olhar azul e o sorriso escancarado, exibindo-se com a sua presença de Apolo e a sua voz de trovão, conforme o acadêmico Napoleão Maia Filho disse a seu respeito –polígrafo, polimorfo, produtivo, proativo e profético –, certamente nos contemplando com os olhos cordiais, no ambiente desta Casa, que presidiu por cinco vezes, em dez anos de liderança inoxidável e reconhecida.

Em 2006, Manelito Eduardo nos daria a sua última obra – O Lugar da Cozinha –, em que se revelaria o observador atento das coisas que imaginávamos fossem mais do universo feminino, ao lado dos afazeres culinários, das músicas cantaroladas nas alcovas e da medicina curativa popular.

Manelito Eduardo era realmente um intelectual que não coube e não cabe nos limites de uma escola literária, porque era a um só tempo ator e autor, diretor, cenógrafo, pintor de cenários e cinegrafista. O Morro do Ouro, A Rosa do Lagamar, O Demônio e a Rosa, A Última Ceia do General, Os Deserdados, A Máscara e a Face, O Anjo, Nós, as Testemunhas, O Julgamento dos Animais, A Farsa do Cangaceiro Astucioso, O Fazedor de Milagres e outras peças são montagens que a Comédia Cearense realizou, conferindo ao nosso teatro o brilho singular de Eduardo Campos, peças que também foram representadas em outras capitais do País.

Manelito escreveu mais de setenta obras sobre assuntos variados, como o já mencionado romance de estréia – Águas Mortas – e mais Face Iluminada, Medicina Popular, Estudo do Folclore do Nordeste, O Chão dos Mortos, Os Grandes Espantos e Tropel das Coisas.

Manuel Eduardo Pinheiro Campos foi, ademais, presidente desta Casa de 1965 a 1974, secretário de Cultura de 1979 a 1982, consolidando nesse período a sua fama de fundador de bibliotecas, e ainda teve tempo de presidir, com inegável proficiência, a partir de 2003, o Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará. Isso sem arrefecer as suas atividades na área das comunicações, abrangendo a totalidade dos veículos disponíveis, e as de ficcionista, contista, romancista, autor teatral, estudioso da problemática social e pesquisador histórico, esse irrequieto e invejável bacharel da Faculdade de Direito do Ceará da safra de 1948 – por coincidência, o ano em que nasci.

Manelito teve a oportunidade de participar, como dirigente e como operador, da implantação da televisão no Ceará em episódios memoráveis que constituem o objeto de um livro de imperecível atualidade – A Fábrica de Sonhos –, no qual condensou a história desses tempos e imortalizou personagens e personalidades que depois ilustraram a cena teatral do Ceará, desde os sempre lembrados João Ramos, Ari Sherlock, Emiliano Queiroz, Audifax Rios, Karla Peixoto, Glice Sales, Wilson Machado e muitos outros, aos nossos caríssimos Augusto Borges, Haroldo e Hiramisa Serra.

O nome de Manuel Eduardo Pinheiro Campos sempre será lembrado como o de um escritor de alargados horizontes intelectuais, que estendia os braços para alcançar as estrelas, com o peso do mundo sobre os ombros, porque, mais do que saber, sentia todas as angústias, todos os limites, todas as adversidades da nossa raça. Escreveu sobre assuntos da periferia de Fortaleza, os seus antigos subúrbios, mostrando, na peça O Morro do Ouro, tipos humanos característicos desse ambiente social deprimido, como Zé Valentão, Madalena, Patrício e as assistentes sociais, ao lado das chamadas senhoras da sociedade, tudo na linguagem destravada e própria das pessoas ali retratadas.

Na peça A Rosa do Lagamar, Eduardo Campos mostra, com crueza e realismo, a petulância dos ricos ociosos e iletrados, personificados no Dr. Severiano, a arrogância sempre bem-sucedida do delegado Beltrão e as peripécias das mulheres chamadas de vida livre – a paradigmática Rosa e suas amigas infortunadas. No último livro da sua trilogia dos dramas urbanos, A Donzela Desprezada, o grande Manelito segue o seu caminho, que hoje se chamaria de denúncia, retratando a mutabilidade da moral social, a vida tumultuária de Amelinha, rejeitada e desprezada por Edmundo, deixando-a fora de tempo e de lugar, num grande e deplorável vazio da alma, exposta à mesquinharia das comadres faladeiras e das vizinhas curiosas e maldizentes.

Mas Eduardo Campos também dedicou a sua atenção percuciente a coisas gloriosas do Ceará, sendo imorredoura a memória que deixou da passagem, por Fortaleza, de Euclides Pinto Martins, aviador dos tempos heróicos, natural da terra camocinense, onde deita raízes minha ancestralidade familiar; ali Manelito sintetiza, com o olhar agudo e crítico de um verdadeiro observador, não só a epopéia do jovem piloto, precocemente desaparecido, mas também os costumes do lugar no fim da primeira década do século XX.

Não vou mencionar as suas comendas e prêmios, para não me demasiar no abuso da paciência de todos, todavia não me furtarei a sublinhar que Eduardo Campos produziu uma obra singular e singularizante na nossa literatura, inclusive escrevendo o único romance cearense ambientado fora das circunstâncias catastróficas das nossas secas: A Véspera do Dilúvio –livro que não seguiu o filão das histórias de flagelos e flagelados, que remonta a Raquel de Queiroz e perpassa pelos regionalistas mais fecundos e originais, como José Américo de Almeida, Graciliano Ramos, José Lins do Rego e, noutra medida, Gustavo Barroso e João Cabral de Melo Neto, para citar apenas os que se tornaram paradigma da literatura mais autenticamente nordestina.

Lembra-nos o premiado José Saramago que somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos; sem memória não existimos e sem responsabilidade, talvez, não devamos existir, como se estivesse dizendo isso para não esquecermos Manuel Eduardo Pinheiro Campos, porque, se não fosse a sua obstinada mania de colecionar coisas, ditos, curiosidades, falares e gestos, talvez hoje se tivesse perdido todo esse vasto material que constitui o verdadeiro substrato da nossa história cultural, o que nos é recordado pelo professor Cabral do Nascimento a propósito dos pacienciosos manuscritores de coletâneas dos poemas galegos do século XII ibérico.

Tenho para mim que Manuel Eduardo Pinheiro Campos é aquele fazedor a que alude Jorge Luiz Borges, ao referir que nesses homens, os fazedores, na noite em que afundam os seus olhos mortais, aguardam-se também o amor e o risco; isso também o velho Borges poderia ter dito do nosso Manelito.

A par de tudo isso, Manuel Eduardo Pinheiro Campos desfrutou do privilégio de integrar o seleto quadro dos condôminos dos Diários Associados, sendo uma das vozes mais ouvidas.

Recorde-se que a relevância da imprensa para o desenvolvimento cultural de qualquer sociedade talvez nem precise ser exaltada nesta hora e nesta Casa, bastando lembrar o que sobre ela disse o Bruxo de Cosme Velho, o grande patriarca das academias de letras do Brasil, o notável Machado de Assis, ao afirmar que a palavra escrita da imprensa ou a palavra dramatizada do teatro sempre produziu uma transformação; é o grande fiat de todos os tempos.

Sobre a imprensa que Eduardo Campos exerceu com exemplar altivez, disse Rui Barbosa ser ela a vista da Nação; por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que sonegam ou roubam, percebe onde lhe alvejam ou nodoam, mede o que lhe cerceiam ou destroem, vela pelo que lhe interessa e se acautela do que a ameaça.

Pois Eduardo Campos foi mestre na arte da imprensa e dirigente de organizações relevantes na formação da opinião pública do Ceará: Manelito comandou os Diários Associados, fundou a pioneira TV Ceará Canal 2, que, em conjunto com a Ceará Rádio Clube e com os jornais Unitário e Correio do Ceará, compunha o mais influente sistema de comunicação de que neste Estado já se teve notícia, por isso mesmo que nenhuma importante decisão política aqui poderia ser implantada sem a sua participação.

Quem se debruçar, como eu me debrucei, sobre a história da sua vida certamente perceberá que se ajusta ao seu perfil, com acurada harmonia, esta reflexão de Charles Chaplin: Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muita para ser insignificante.

Devo agora, para encerrar, referir-me aos caríssimos amigos desta Casa, que viram em mim, com os seus olhos benevolentes, o mérito de integrar este sodalício, onde pontificam escritores e escritoras da maior qualidade intelectual, criadores de padrões de raciocínio e de cultura, como Paulo Bonavides; argutos e certeiros analistas sociais, como Diatahy Bezerra de Menezes; poetas celebradores da surpresa líquida e celeste das chuvas e das águas do Jaguaribe, como Luciano Maia; etnógrafos da heráldica nordestina das marcas de gado, como o poeta Virgílio Maia; médicos literatos, como Murilo Martins, Lúcio Alcântara e Pedro Henrique Saraiva Leão; professores, escritores inspirados e críticos de grande estilo, como Pedro Paulo Montenegro, César Barros Leal, Dimas Macedo, Barros Pinho, Costa Matos, Alberto Oliveira, Abelardo Montenegro, Juarez Leitão, Carlos Augusto Viana, Linhares Filho e Genuíno Sales, além de jornalistas, como Alencar Araripe e Cid Carvalho. Registro também os paradigmas de produção intelectual de Sânzio de Azevedo, de Horácio Dídimo e de Batista de Lima e a austera compostura do cônego Manfredo Ramos e do padre Sadoc Araújo.

Essa constelação se completa e se aperfeiçoa com a presença sutil e inspiradora das acadêmicas que amenizam a austeridade desta Casa, Marly Vasconcelos, Beatriz Alcântara, Ângela Gutiérrez, Regine Limaverde, Giselda Medeiros e Noemi Elisa, sem as quais este nosso mundo seria apenas um arremedo das desmesuras aflitivas que impetuosamente infinitizam o ser humano.

Ainda, com o destaque de parlamentar de Mauro Benevides, a consagração de Artur Eduardo, com o seu celebrado Poema de Amor a Fortaleza, que o fez para sempre o namorado ciumento desta cidade, na verdade o cantor monopolista e sentimental dos seus encantos e luares, a proficiência de Carlos d’Alge, Teoberto Landim e F.S. Nascimento, ao lado de Vinícius Barros Leal e desse poeta de religiosidade surpreendente, místico e cheio de sutilezas Francisco Carvalho, com a sua intangível e imperecível obra Os Girassóis de Barro.

Peço a compreensão de todos os meus colegas acadêmicos para fazer uma referência muito especial a um dos nossos que vou tratar por irmão, pois as nossas vidas sempre caminharam juntas desde que, nesta existência, se reencontraram nas ansiedades do vestibular de Direito em 1967.

Os dois integramos a mesma turma na Faculdade, onde também depois lecionamos; ambos dividimos o mesmo escritório de advocacia; compusemos, na condição de juristas, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará; os dois fomos laureados com o título de Notório Saber pela Universidade Federal do Ceará e com o troféu Sereia de Ouro; portamos o título de mestre em Direito; somos ministros do Superior Tribunal de Justiça e integramos, a partir de agora, a Academia Cearense de Letras. Nossos filhos, assim também os nossos netos, nasceram praticamente nas mesmas épocas; casaram-se em momentos próximos. Em todos esses pontos nos revezamos em chegar primeiro, sempre um servindo de modelo e inspiração para o outro. São coincidências exatas demais para serem lançadas na coluna do acaso.

Não posso deixar de confessar que seria, de minha parte, render excessivas homenagens ao delírio imaginar que eu poderia experimentar as emoções deste instante se a minha candidatura não tivesse sido conduzida por esse amigo de toda a vida, o acadêmico Napoleão Nunes Maia Filho, dado o prestígio que ele desfruta neste sodalício. Sequer venceria o receio de ingressar neste templo sagrado da intelectualidade cearense. Mas agora posso dizer, lembrando Camões, que tão generosas suas palavras de saudação vieram carregadas, que tiraram de meu coração um grande medo.

Por último, meus senhores e minhas senhoras, meus caríssimos confrades acadêmicos, quero agradecer a presença de todos: a imperceptível, aos olhos materiais, do meu pai, Alcimor Aguiar Rocha, meu padrão de advogado, de professor, de jurista e de pai de família; a da minha mãe, Síria, dos meus filhos Juliana e seu marido, Jorge, e Caio e sua mulher, Tatiana, e das minhas netas Luana, Stela e Maria Isadora, estes segundo a carne; e de Tercius e sua mulher, Marcela, Ana Amélia e seu marido, Marcelo, e meus netos Jaime e João, estes segundo o espírito, e a da minha mulher, Magda, companheira suave, conselheira sapiente, luz do meu olhar, cuja constância no meu coração me faz bem maior do que sou.

Meus prezados amigos, muito obrigado por terem saído do seu sossego e aceitado o incômodo de aqui me virem prestigiar, em especial os meus colegas do Superior Tribunal de Justiça, cujo desconforto foi ainda maior.
Muito obrigado a todos!

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